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Tatiana Reis, Professor in Agribusiness Management: "There are several opportunities for young people in the Agricultural sector in the areas of marketing and management"

Tatiana ReisClosing our "All in one Rhythm" series on YPARD´s blog, we aim to show the perspective of different actors in agriculture in Brazil. Here comes the interview with Tatiana Reis, a Professor in Agribusiness Management at the Brasilia University, Brazil.

Tatiana Reis is a Professor in Agribusiness Management at the University of Brasilia. She has a Master in Agribusiness Management and she is specialized in Business Management at Ibmec. She graduated in Arts - English Translation in the University of Brasilia as well as in International Relations at IESB. Besides, she has managed the National Association of  Garlic Producers (ANAPA) for almost four years, among other several positions in management and training.

(Portuguese version below)

What trends can you identify regarding Brazilian agriculture?

Brazilian agriculture is very efficient inside the farm. The producers, despite all the challenges, know how to drive their production and technical work. Even with limited access to credit and to capacity building opportunities, they are able to innovate with the few tools they have. If the scenario would offer all these elements, in addition to skilled labor, certainly, the producer would reach the world's best results in all sectors of agriculture.

Which are the main challenges for agricultural development in Brazil?

The issues of marketing and management are the major agriculture’s weaknesses in Brazil. The producer still loses profitability due to intermediaries in the marketing process, as well as investments in quality management for not selling his brand in the market. Friboi is reversing this scenario with many actions that enhance product quality by identifying the brand on the packaging. In order to make Brazilian agriculture be more competitive, there is the need to overcome the management’s barrier and build a more professional production -from family farms to rural businesses- using branding, marketing and competitiveness strategies.

Which advantages does the Brazilian agricultural sector have when comparing to other countries?

Our "vocation" is agriculture. We have raw materials like soil, one of the most precious commodities in the agricultural process. Without agricultural vocation, countries such as Israel may be more productive and competitive by inserting other tools in our production process. Brazil needs to use raw materials in its favor and so to position ourselves more competitively in the international arena. We must know the rules of the global game, because we are able to assume a player condition.

How could Brazil increase its agricultural output while respecting environment policies and considering the global food and nutrition challenge?

Not only Brazil, but the world needs to take further steps to ensure food quality. We cannot proceed with the current production model, because it is not sustainable and resources will be scarce over the years. Changes are needed in perspectives, since the relevant quantity that is produced (according to National Geographic’s May 2014 edition, 54% of soy production in Brazil is destined for animal feed) is not intended to be in our table. Much of what is produced is lost in unsuitable conditions of storage and transportation. Therefore we need to revisit the concept of production and adapt it to the new world conditions, with steady growth of population - estimated to reach 9 billion by 2050-, when we will need to double food that is offered today. To do this, we need to reinforce the importance of management, innovation and capacity building to ensure that the country will achieve success before these adversities happen.

“Many recognize agriculture is important for Brazil, but they do not know where vegetables come from.”

Which are the challenges for the young professionals involved in the agricultural sector?

In the case of university students, I realize the need of more management knowledge on the side of producers. Students have great difficulty in getting internships and work in the area due to the ignorance of the employer on the course. He/she generally tends to hire an agronomist with expertise in management or an administrator, instead of a manager in agribusiness.

Is it just a matter of the producer’s side then?

No. The young professional, in turn, does not intend to work hard and to learn more about the company, but he/she wishes to receive high wages without providing high level of productivity. This barrier prevents the insertion of these professionals in the market. We need dialogue and information to strengthen ties on both sides. Also, young people who did not choose strict sense this economy sector are not willing to get a way out of the city to assist in the field, such as information technology professionals. Many recognize agriculture is important for Brazil, but they do not know where vegetables come from.

Which would be the solution to make both sides meet?

There are several opportunities for young people, especially those who specialize in the areas that I mentioned earlier. We must, however, inform the producer and the youth that both need help for development: the producer, with his experience, can teach and empower young people, who in return enter the labor market with a lot of energy and expertise, ready to be put into practice to meet the demand of the corporation. Information and networking are key to reduce challenges and optimize opportunities.

 

Portuguese version

Breve descrição profissional: professora no curso de Gestão do Agronegócio na Universidade de Brasília, mestra em Gestão do Agronegócio, especialista em Gestão de Negócios pelo Ibmec, graduada em Letras Tradução-Inglês pela Universidade de Brasília e graduada em Relações Internacionais pelo Iesb. Gerenciou a Associação Nacional de Produtores de Alho por quase quatros anos, exercendo diversas funções em gestão e capacitação.

Na opinião do senhor quais são as barreiras para o desenvolvimento da agricultura no Brasil?

A agricultura brasileira é muito eficiente “da porteira para dentro”. O produtor, apesar de todos os desafios, sabe como conduzir sua produção, o trabalho técnico. Mesmo com dificuldades de acesso ao crédito para aquisição de novas tecnologias e acesso à cursos de capacitação, ele é capaz de inovar com as poucas ferramentas que possui. Se o cenário ofertasse todos esses elementos, além de mão de obra capacitada, certamente, o produtor alcançaria os melhores resultados mundiais em todos os setores de agricultura.

No meu ponto de vista, essas são as algumas das barreiras para o desenvolvimento, todavia, as questões de comercialização e gestão são as maiores fraquezas da agricultura no Brasil. O produtor ainda reduz sua lucratividade em virtude de intermediários no processo de comercialização, perde os investimentos feitos na gestão da qualidade por não trabalhar sua marca no mercado. A Friboi, hodiernamente, está revertendo esse cenário com muitas ações que reforçam a qualidade do produto por meio da identificação da marca na embalagem.

Para a agricultura brasileira ter mais competitividade precisa ultrapassar a barreira da gestão e tornar sua produção profissional, desde a agricultura familiar até o modelo de empresas rurais, com estratégias de comercialização, valorização da marca, além de estratégias de competitividade.

Na opinião do senhor quais são as vantagens da agricultura brasileira em relação aos outros países?

Nossa “vocação” é a agricultura. Nós temos matéria-prima - solo, um dos bens mais preciosos no processo de agricultura. Digo isso, pois, sabemos que países sem vocação agrícola, como Israel, podem ser mais produtivos e competitivos por inserir outras ferramentas no seu processo de produção.

O Brasil precisa utiliza a matéria-prima a nosso favor para nos posicionarmos mais competitivamente no cenário internacional. É relevante ditarmos as regras do jogo global, pois temos condições de assumir essa condição de player.

Como o Brasil poderá produzir mais respeitando as novas políticas ambientais e adequando-se às necessidades mundiais para garantir a segurança alimentar e nutricional?

O tema do futuro dos alimentos foi capa da edição de maio, 2014, da National Geographic e estou de acordo com o exposto pela revista. Não somente o Brasil, mas o mundo precisa tomar novas medidas para assegurar alimentos de qualidade. Não é possível prosseguir com o atual modelo de produção, pois ele não é sustentável e os recursos serão escassos ao longo dos anos. É preciso mudar as perspectivas, pois quantidade relevante do que é produzido (no caso do Brasil, segundo a revista, 54% da produção de soja é destinada à ração animal) não é destinado à mesa do consumidor.

Muito do que se produz se perde nas condições não adequadas de armazenamento e transporte. É preciso revisitar o conceito de produção. Adequá-lo às novas condições mundiais, com crescimento constante de habitantes – com estimativa de alcançarmos 9 bilhões em 2050, quando precisaremos do dobro de alimentos que hoje é ofertado. Para isso, volto a reforçar a importância da gestão, inovação e capacitação para assegurar que o país logrará êxito perante tantas adversidades.

Quais os desafios e as oportunidades (ou fatores preponderantes) para os jovens profissionais envolvidos nesse setor? 

Essa é uma questão muito delicada. Leciono para jovens e já liderei equipes de pessoas jovens no mercado. No primeiro caso, dos jovens universitários, percebo a necessidade de conhecimento por parte do produtor sobre gestão. Os alunos têm grandes dificuldades em obter estágio e atuar na área pelo desconhecimento do empregador sobre o curso. Este, em geral, costuma contratar um agrônomo com conhecimento em gestão ou um administrador, mas não um gestor em agronegócio. O jovem, por sua vez, espera muito das corporações, no sentido de poucas tarefas a serem executadas e sobre a sua remuneração. Não pretendem, em geral, trabalhar com afinco para saber mais sobre a empresa e desejam receber altos salários sem apresentar ampla produtividade. Essa barreira impede a inserção desses profissionais no mercado. É preciso diálogo e informação para estreitar os laços em ambas as partes.

No segundo caso, percebo que os jovens que não escolheram strictu sensu esse setor da economia, não estão dispostos a largarem a cidade para auxiliarem o campo, como profissionais de tecnologia da informação. Reconhecem que a agricultura é importante para o Brasil, mas muitos não sabem de onde vêm as hortaliças (quando sabem o que significa essa palavra).

Há diversas oportunidades para os jovens, principalmente aqueles que se especializam nas áreas que citei anteriormente. É preciso, todavia, informar o produtor e o jovem que ambos necessitam ajuda para o desenvolvimento: o produtor, com sua experiência, pode ensinar e capacitar o jovem, que por sua vez, adentra o mercado de trabalho com muita energia e conhecimento técnico, prontos para serem postos em práticas para atender a demanda da corporação. Informação e networking são fundamentais para reduzir os desafios e otimizar as oportunidades.